segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Cândido

Passei dez meses trabalhando na Biblioteca Pública do Paraná, na Divisão de Difusão Cultural, num período de transição muito bacana. A BPP deixou de ser apenas um prédio marcante no centro de Curitiba com milhares de livros para se tornar um ponto de cultura importante da capital, tudo isso sob o comando do jornalista Rogério Pereira.

Uma das realizações importantes foi a criação do jornal Cândido, hoje já conhecido no Brasil todo. A fim de fazer uma mini retrospectiva, e aproveitando que agora todas as edições estão disponíveis no site do jornal, listo abaixo a minha contribuição para o projeto. Todos os textos foram editados pelo jornalista Luiz Rebinski Jr, editor do jornal. Sem essa edição, os textos não seriam metade do que são.



Nº 1 - Agosto 2011


“Na verdade, todo livro é um fracasso. Alguns são grandes fracassos. Do ponto de vista do escritor, o livro escrito está sempre aquém do livro imaginado. Então, quando vêm as críticas negativas, embora machuquem, elas são afagos perto das críticas interiores que fazemos. O escritor é um ser fadado a essa insatisfação crônica, que o leva a experimentar-se sempre. Aliás, todo bom livro é um livro experimental, na medida em que tentamos dizer algo pela primeira vez.”

Nº 2 - Setembro 2011


Dos 18 mil livros emprestados por mês nos balcões da Biblioteca Pública do Paraná, mais de 250 vão parar nas mãos de nove técnicos, que têm a missão de tornar os livros utilizáveis novamente


Nicolau, jornal editado por Wilson Bueno entre as décadas de 1980 e 1990, agitou a cena literária brasileira, alcançou tiragens enormes, ganhou diversos prêmios, fez carreira internacional e ainda hoje tem seu nome indissociavelmente ligado à figura de seu editor

Nº 3 - Outubro 2011


Gênero sem tradição no Brasil, a literatura de fantasia tem conquistado milhares de fãs e seus autores, best-sellers nacionais, incutido o prazer da leitura em adolescentes e jovens

Nº 4 - Novembro 2011


Escritor e crítico, Sérgio Rodrigues fala sobre a democratização da “conversa” literária na internet, onde se tornou referência com seu blog Todoprosa, e da rotina de um leitor profissional que tem a difícil tarefa de comentar a cena literária da qual faz parte 

“Não se pode reduzir a crítica literária à “crítica de rodapé”. Esta é um fenômeno do século XX, certo, e tem tanto a ver com a história da literatura quanto com a história do jornalismo — mais até com esta, imagino. Mas a crítica literária existia antes disso e continuou a existir depois. Qualquer texto, seja jornalístico, acadêmico, ensaístico, blogueiro ou o que for, que dê uma contribuição inteligente, bem informada e original à leitura de uma obra literária, é um texto de crítica literária.”

Nº 5 - Dezembro 2011


Um dos autores mais talentosos de sua geração, Michel Laub também tem se destacado comandando disputadas oficinas de criação literária 

“Tudo interessa: ideias, linguagem, ritmo narrativo, história (ou falta de história). Cada escritor opera de um jeito. Tenho a sensação de que meu último livro, Diário da queda, vale mais pelas ideias e a história do que pela linguagem em si. Mas ele não deixa de ter um trabalho até que bastante elaborado de linguagem (custou meses e meses de chateação, posso garantir).”


Dono de uma prosa experimental, pautada pelo humor e situações absurdas, Manoel Carlos Karam também deixou marcas no teatro e na imprensa paranaense

Nº 7 - Fevereiro 2012


Mais do que simples detalhe, capas e projetos gráficos são objeto de fetiche para muitos leitores e podem determinar o sucesso de um livro

Nº 8 - Março 2012


As obras de Manoel Carlos Karam, Jamil Snege, Wilson Bueno e Valêncio Xavier tinham pouca conexão entre si, mas estavam ligadas a um traço marcante da literatura curitibana: o gosto pela experimentação 


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