quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Debate em Curitiba reuniu dois renomados críticos literários brasileiros

Ataque ao politicamente correto e perspectivas distintas marcaram o encontro entre João Cezar de Castro Rocha e Alcir Pécora na Semana Literária do SESC Paraná

Foto: Shigueo Murakami / SESC-PR (Clique para ampliar)
Quarta-feira, 19h30 na Praça Santos Andrade, em Curitiba: mais de 100 pessoas se reuniram para ouvir João Cezar de Castro Rocha e Alcir Pécora sobre crítica literária. A mesa aconteceu em formato de seminário, ou seja, cada convidado tinha aproximadamente vinte minutos para expor suas ideias sobre um possível panorama da crítica literária contemporânea no Brasil. O debate foi mediado pelo jornalista Yuri Al’Hanati.

Após os seminários (veja mais abaixo), os convidados discutiram rapidamente algumas questões, entre elas o “politicamente correto”.

“A questão do Monteiro Lobato no STF abrirá jurisprudência: com ela, poderemos abolir qualquer literatura das escolas”, ironizou João Cezar. “A questão do politicamente correto é muito preocupante e não pode ser tratada como caricatura”. “Não pode acontecer uma transposição ingênua, do politicamente correto, do espaço público (onde ele deve existir) para a universidade”, enfatizou. 

“Isso é um desastre, porque a literatura, e a universidade também, são espaços em que se podem exercer pensamentos e linguagens de risco, e essa transposição leva a uma receita prêt-à-porter para a leitura de textos”. E concluiu: “Deveríamos ter mais coragem para pelo menos levantar estas questões”.

Alcir Pécora (Foto: Shigueo Murakami)
Pécora: distinção entre dois tipos de crítica
“Pensei em dizer coisas sobre a crítica contemporânea de uma maneira geral, não especificamente no Brasil, mas que podem balizar problemas e apontar o que se pode fazer”, começou Pécora, conhecido também por uma relativa antipatia com o cenário da literatura brasileira atual. Ele fez uma distinção básica entre dois tipos de crítica literária: uma mais comum, em que o crítico se coloca diante de um livro e o critica basicamente a partir do que sentiu; e outra na qual o crítico vai além e tenta formular uma hipótese para aquele livro, que busca o “princípio organizativo” da obra.

“A primeira acontece em todos os lugares, também no Brasil, e tanto nos jornais quanto nas universidades”, disse. “Não há nada de errado, mas é um trabalho crítico mais banal, mais comezinho, que pode ser feito de forma mais ou menos convincente dependendo do crítico”. Pécora completou que essa espécie de crítica é  útil

Sobre a segunda orientação, Pécora se mostrou mais entusiasmado. “Aposto no crítico que vai muito além do próprio gosto, que vai buscar a consistência do livro e o âmago fundamental da obra”, disse. “Ele tenta uma ética do objeto, o que não significa submissão: sim ter uma hipótese forte para confrontar o decoro de um objeto com os outros objetos”. Em seguida, o crítico destacou que nada na cultura (e na literatura) existe só: há sempre um confronto fundamental de objetos. 

“Outra coisa de que não gosto é uma tendência que existe de as pessoas desqualificarem os atuais estudos universitários de literatura sobre outras épocas como ‘perda de tempo’”, criticou. “É muito importante esse distanciamento, a postura crítica se adquire através da distância: se formos nos curvar a cada objeto novo, podemos perder a noção de que o campo é constituído há muito mais tempo, e isso é um erro”. E concluiu: “Não se trata de negar o presente, mas sim perceber que as obras da cultura estão tão vivas e são tão determinantes quanto os objetos novos”.

Outro fator que Pécora citou, em relação especificamente aos jornais, foi a questão do espaço reduzido para qualquer produção. “Hoje em dia temos que produzir para jornal de acordo com o desenho do que não foi vendido na página”, disse, referindo-se à publicidade nos veículos. “Ainda os jornais dão espaço a algumas poucas editoras, e o que passamos a entender é apenas um fiapo daquilo que é preciso para se formar um lugar consistente de crítica e de literatura”, ressaltou. “Não é o caso para um desânimo coletivo, mas sim de buscar um enfrentamento moral dessa questão”.

João Cezar de Castro Rocha
Foto: Shigueo Murakami
Cátedra x Rodapé
João Cezar de Castro Rocha traçou um panorama da crítica literária no Brasil no séc. XX (resgatando suas ideias publicadas no livro Crítica literária: em busca do tempo perdido?, publicado pela Argos em 2011). Ele propôs três situações e as desenvolveu: (1) crítico como juiz é uma ideia superada, embora a crítica seja mais necessária do que jamais foi; (2) a distinção entre crítica de rodapé (dos jornais) e crítica universitária foi estratégica nos anos 1940 e 50 no Brasil, mas a partir dos anos 80 passou a viver uma crise de reinvenção; e (3) a reinvenção da crítica nas condições contemporâneas exige a superação do cisma entre aquelas duas formas de crítica.

“Em virtude do aumento exponencial de informações, há a necessidade da figura crítica, mas é preciso ter cuidado: aquela importação acrítica do ‘politicamente correto’ norte americano ameaça se transformar numa corrente, quando na verdade é um fascismo light, uma postura autoritária”, disse. “A ideia do crítico como juiz também esteve muito ligada à Galáxia de Gutenberg: hoje em dia, já não há mais controle exclusivo dos meios de divulgação”.

Em relação ao segundo ponto, João Cezar relacionou a criação dos cursos de Letras às vanguardas modernistas e destacou o surgimento do escritor-crítico (que faz certa autocrítica em sua própria obra). “No Brasil, as faculdades de Letras se uniram ao modernismo para começar a ter meios de buscar aquela ética do objeto a que o Pécora se referiu”, disse. 

“A crítica universitária herdou uma tradição fortíssima dos jornais e revistas: métodos modernos de estudos literários internacionais, padrão de alto nível nos textos, a união entre tradição humanista e técnica, tudo isso estava presente nas críticas de rodapés dos anos 1930 e 1940”.

Para o crítico, então, é preciso superar esse cisma (“que teve um caráter estratégico de afirmação da Universidade nos anos 40 e 50”), para tirar a crítica universitária das suas características atuais: “uma reduplicação de conhecimento, confusão do saber, e o mais importante: nos últimos 10 anos a crítica universitária não tem dado contribuição real para a renovação da própria crítica”.

“Tem faltado aos professores universitários desejo de se arriscar e vontade dizer coisas que precisam ser ditas”, lamentou. 

Como proposta, João Cezar formula que se deve criar um novo método e uma linguagem própria, um equilíbrio, para a nova crítica literária. “A teoria universitária só vale quando posta em resistência com o texto, que não pode ser julgado apenas por um teoria prévia a ele: há que se buscar a vitalidade daquela crítica de rodapé que se fazia muito bem no Brasil na primeira metade do século XX”, resumiu.

domingo, 26 de agosto de 2012

Voláteis e Ainda orangotangos, Paulo Scott

Paulo Scott (Divulgação
Record)
“Eu realmente não sei se sou escritor”. A frase de Paulo Scott, dita no Festival Nacional do Conto deste ano (clique aqui), é emblemática: os personagens dos seus dois primeiros livros de prosa  —  Ainda orangotangos (contos, Livros do Mal, 2003, Bertrand Brasil, 2007) e Voláteis (romance, Objetiva, 2005)  —  também não sabem se são personagens, em última instância, se são humanos. Se sabem, pouco sabem o que de fato estão fazendo.

Uma ideia de fracasso? Talvez, mas segundo o próprio, em uma entrevista ao Jornal Rascunho: “meus personagens lutam para não fracassar. O fracasso é um estigma recoberto pela variação de quem olha: de onde olha e como olha. Pode ser que nem exista.” Na hora, vem à tona aquele aforismo de Kafka (na edição da Penguin-Companhia, tradução de Modesto Carone): “Só aqui o sofrimento é sofrimento. Não como se aqueles que aqui sofrem devam ascender a outro lugar em função desse sofrimento, mas no sentido de que aquilo que neste mundo se chama sofrimento, em outro mundo, inalterado e tão somente libertado do seu oposto, é êxtase.” 

E é este êxtase que se mistura aos sentimentos dos personagens — que parecem guardar um parentesco comum, uma fina linha que os liga, e os sustenta, torna-os a semelhança maior entre os dois livros.

*

Voláteis é um thriller urbano característico: o protagonista é um desenhista ambicioso insatisfeito com o que tem, e os personagens que transitam ao seu redor são de diferentes classes sociais (há, porém, uma preocupação com a classe média), discutem a questão racial e parecem quase sempre fazer as escolhas erradas.

Scott parece não ter preocupações com o lugar do narrador: narra-se a partir de uma terceira pessoa flutuante, frenética, mas de fato tradicional. O foco narrativo acompanha, então, a inconstância das personalidades. Reformulando: se tomarmos o ponto inicial da criação literária como a escolha do narrador (como ensina Cristovão Tezza, no belíssimo “O espírito da prosa), Voláteis começa em suspenso.

A quantidade de diálogos também é bastante notável: muitas vezes, o narrador é quase desnecessário tamanha a agilidade (sem valoração aqui) do texto e das trocas entre personagens. A questão é se isso justifica (se de fato houver a necessidade de uma justificativa) o narrador inconstante.

Há uma vocação poética clara:

“O vapor do chuveiro toma o quarto, seu esfumaçado desarruma o branco do teto, afrouxando as pálpebras de Sabrina, até um flash asfixiado lhe cobrir os pensamentos e escurecer, ensejando entre as vozes embaralhadas do dia algo sobre as linhas da sua mão: um eco que se dilui no barulho do chuveiro, um fosso onde ela precipitará agradecida, no peso da quietude, na proteção fugaz do abandono”

O que não implica necessariamente um valor estético maior ou menor: a poesia pode ser caracterizada com a aproximação do narrador ao autor, portanto, a não necessidade da criação profunda de um narrador ficcional, fato que reforça o discutido acima.

Outro fato que chama atenção no livro são as descrições de roupas:

“Separa quatro dessas peças menos comuns, joga as demais contra a cabeceira. Estende a saia evasê (surpreende-se com a tonalidade laranja do tecido feltrado sobre o branco do lençol), faz o mesmo com a calça de lã cordada, com a blusa amarela de algodão crepom e o corpete vermelho de fibra sintética”

Essa é um exemplo, há outras situações semelhantes. É a tentativa simbólica (ou alegórica) do narrador de nos colocar em contato com aquele mundo que ao mesmo tempo que é tão cruel parece, para o leitor com mais condições, tão irreal.

*

O narrador de Voláteis é o mesmo da maior parte dos contos de Ainda orangotangos: o mesmo narrador flutuante, ágil (sem valoração), de frases curtas e que não tem medo de nada, talvez porque não haja tempo para se ter medo, ou não se saiba ter medo: não sei. O que se percebe, novamente, são características semelhantes de narrativa, mas parece evidente que os contos de Ainda orangotangos sobressaem ao  romance Voláteis.

Isso porque a mensagem, antes difusa longamente num romance de duzentas páginas, aqui se concentra em 22 relatos curtos, que raramente ultrapassam as duas páginas, e, na edição da Bertrand Brasil (“revista”), dividem espaço com um prefácio elogioso de José Castello (além das recomendações de Marçal Aquino, Luiz Antonio de Assis Brasil, Charles Kiefer e orelha de Daniel Galera... o que só mostra que o background de Scott é sólido). Essa concentração é positiva para o efeito que o autor (narrador) busca.

O efeito do conto por excelência se faz presente: as narrativas esticam a realidade até o limite da loucura, do fantástico e da irrealidade (oras). O conto que dá título ao livro começa com uma frase que é um recado: “Trinta e quatro de agosto”. O recado também está no conto “Pusilânimes no café-da-manhã”:

“Vou pelo corredor tateando, ainda não me acostumei com o apartamento. Bater de asas, pássaros? Acendo a luz, a sala está infestada de morcegos. Voam em círculo causando uma mancha negra assustadora. Recuo, entro apressado na primeira porta, a da biblioteca. Tranco a porta, tento me recompor, é enorme o pavor que sinto de ratos e morcegos [...]. Alguém bate à porta. Três vezes. Sinto a pressão nas costas. Dou mais uma volta na fechadura e me afasto (troquei os segredos das portas ontem, como pode?).”

O chão que se pisa quando se lê os contos de Scott é o mesmo ar pelo qual os morcegos dentro do apartamento andam: eles são reais, afinal, mas são tão reais que não podem existir, não é possível que existam. A única saída possível: a biblioteca, a literatura. É lá que enfim está a realidade.

Há, é verdade, narradores diferentes nos contos. Em “Insônia postiça” há, por exemplo, um hábil narrador em segunda pessoa, como num diálogo, entremeado por parênteses que são justificativas do interlocutor: o conto seria brilhante se o desfecho não fosse fechadíssimo, intransponível. A violência deste relato, por sua vez, é justificada: há um sentido para a estilização da violência, um sentimento. Coisa que não parece acontecer em “Gentalha”, por exemplo (em que novamente a “realidade” se rompe no limite): “Tranquei-a no banheiro, saí degolando um por um. Os maiores eu esfaqueava mesmo”.

Mas tudo isso pode não fazer sentido nenhum, porque, como diz Daniel Galera na orelha desta edição da Bertrand, “podemos sair de Ainda orangotangos sem entender tudo, mas saímos impressionados”.

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Voláteis
Paulo Scott
208 páginas
Preço sugerido: R$36,00

Ainda orangotangos
Paulo Scott
84 páginas
Preço sugerido: R$29,00

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Habitante irreal (Alfaguara, 2011), o livro mais recente de Paulo Scott, foi recebido como o livro do ano em 2011, apesar de ter recebido uma ou outra crítica negativa, se essa valoração (positiva x negativa) ainda fizer sentido (o que creio não fazer).

E Ainda orangotangos virou filme:



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Se você gostou desses, provavelmente também vai gostar de:

A arte de produzir efeito sem causa
Lourenço Mutarelli
208 páginas
Preço sugerido: R$44,50

O belo romance de Mutarelli tem umas pitadas de loucura, morte e tudo o mais que você vê por aí.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Especial Bukowski

Em 16 de agosto de 1920, 92 anos atrás, nasceu Henry Charles Bukowski Jr, em Andernach, na Alemanha.

Vou reproduzir trechos de obras do velho Buk, que anotei no tumblr. Logo abaixo, algumas considerações e indicações:


“Esse é o problema com a bebida, pensava, enquanto enchia o copo. Se acontece uma coisa ruim, você bebe para esquecer; se acontece uma coisa boa, você bebe para comemorar; se não acontece nada, você bebe para que aconteça alguma coisa.”
— Mulheres (L&PM Pocket, 2011, tradução Reinaldo Moraes)

“I’m glad when they arrive
and I’m glad when they leave
I’m glad when I hear their heels
approaching my door
and I’m glad when those heels
walk away
I’m glad to fuck
I’m glad to care
and I’m glad when it’s over […]”
— Love is a dog from hell (Ecco, 2003)
“A dor chega, BANG, e aí está ela, instalada em você. É real. Aos olhos dos outros, parece que você está de bobeira. Um idiota, de repente. Não há cura para a dor.”
— Mulheres (L&PM Pocket, 2011, tradução Reinaldo Moraes)

“women don’t know how to love,
she told me.
you know how to love
but women just want to
leech.
I know this because I’m a
woman.
hahaha, I laughed.”

— Love is a dog from hell (Ecco, 2003)
“Que tipo de merda era eu? Um sujeito capaz de armar jogadas bem malévolas e alucinadas. E qual a razão? Será que eu estava querendo me vingar de alguma coisa? Até quando eu ia ficar dizendo que era apenas uma pesquisa, um simples estudo sobre as mulheres? Eu estava era deixando as coisas acontecerem sem me preocupar muito com elas. Eu não tinha nenhuma consideração por nada além do meu prazerzinho barato e egoísta. Eu parecia um ginasiano mimado. Eu era pior que qualquer puta; uma puta só toma o seu dinheiro, nada mais. Eu bagunçava vida e almas como se fossem brinquedos. Como é que eu ainda me considerava um homem? Como é que eu ainda escrevia poemas? Eu era feito de quê, afinal? Eu era um marquês de Sade pangaré, sem o gênio dele. Qualquer assassino era mais sincero e honesto que eu. Ou um estuprador. […] Eu entrava na vida dos outros porque eles confiavam em mim. Eu aprontava as minhas cagadas com a maior facilidade. Eu estava escrevendo A história de amor de uma hiena.”
— Mulheres (L&PM Pocket, 2011, tradução Reinaldo Moraes)

"she went up the walk toward her car.
I closed the door.
she knew what she wanted and it wasn’t
me.
I know more women like that than any
other kind.”

— Love is a dog from hell (Ecco, 2003)
“sempre que nos agarramos às paredes do mundo, e na fase mais sombria da ressaca, eu penso em dois amigos que me aconselharam sobre vários métodos de cometer suicídio. que prova melhor de amor e companheirismo? […] ambos escrevem poesia. tem qualquer coisa em escrever poesia que leva um homem pra beira do abismo.”
— Notas de um velho safado (L&PM Pocket, 2000, tradução Albino Poli Jr.)
“Depois virei para eles e disse: “Esta é a minha mulher… a minha mulher… esta é a…” Por fim, tive que me virar para ela e perguntar: “PORRA, COMO É MESMO O TEU NOME?”
— Fabulário geral do delírio cotidiano (L&PM Pocket, 2007, tradução Milton Persson)

*
Algumas considerações:

1.
É complicado julgar a obra de Bukowski. Falar que ele é apenas um escritor compulsivo, barato, superficial,  alcoólatra e poeta mediano é fácil demais. Alçá-lo ao cânone, exagerado. Também é complicado simplesmente encaixá-lo na definição de midcult (segundo Eco, a cultura pequeno-burguesa que falsifica elementos da cultura erudita com fins comerciais). Qualquer análise superficial da vida de Bukowkski, que foi o principal substrato de sua própria obra, garante isso.

2.
Não há dúvidas de que Bukowski pode cumprir um papel deficiente no Brasil: a formação de leitores. Não digo que não haja escritores brasileiros que possam fazer o mesmo, oras, mas a literatura de Bukowski (especialmente a prosa) é de fácil digestão e superficialmente trata de temas que interessam a adolescentes e jovens adultos de maneira geral: sexo e bebida. E aqui o testemunho é pessoal: Misto-quente foi um dos livros que despertou em mim uma paixão fulminante pelos livros de literatura esteticamente ambiciosa.

3.
Dizer que não há, sob o texto de Bukowski, pelo menos uma fina camada de puro lirismo, massa da literatura, é no mínimo má-vontade.

4.
Há que se ler Bukowski.

*
O documentário abaixo, Born into this, do diretor John Dullaghan, tem várias entrevistas, inclusive com o autor, e também passagens das impagáveis leituras públicas.



*
Vou indicar três livros de Bukowski, um de cada gênero (romance, conto, poesia, na ordem):

Mulheres 
Charles Bukowski
Tradução: Reinaldo Moraes
320 páginas
Preço sugerido: R$22,00





Ao sul de lugar nenhum
Charles Bukowski
Tradução: Pedro Gonzaga
224 páginas
Preço sugerido: R$38,00





The pleasure of the damned: Poems, 1951-1993
Charles Bukowski
Ecco Press (2008)
576 páginas
Preço sugerido: R$48,30 (aqui).